quinta-feira, 21 de março de 2013

O que eu (quase) decidi sobre maternidade e carreira profissional

Desde de que o Pablo nasceu, até mesmo durante a gravidez, eu sabia que mudaria meu "estilo de trabalho". Aquela coisa de 24x7, fazer tudo e mais um pouco, noites a dentro, grandes projetos e grandes pepinos pra resolver estariam com os dias contados. A vontade era mesmo de largar o trabalho formal, fora de casa e all day long, por freelas. O que para jornalismo e fotografia seria simples...

Pois bem, Pablo nasceu, o fim da licença maternidade chegou, eu estava numa empresa que não queria ficar, já tinha realizado grandes feitos nela (criação de departamento, criação e desenvolvimento de um baita projeto, formação e treinamento de nova equipe, muitos finais de semana de trabalho em casa, muitos finais de expediente às 23h, etc e tal) e sabia que o meu "novo perfil", mais conhecido como "mãe", não era o desejado por eles e que estava com os dias contados.

A licença materniade acabou, trabalhei uma semana (a mais difícil ever) e pronto, já estava desligada e poderia me dedicar ao meu pequeno por tempo integral. Foi um misto de liberdade, alívio, felicidade com medo astronômico, porque por mais que a possibilidade dos freelas seja real, é difícil sair de um modelo formal/tradicional de ganhar dinheiro pra pagar as contas.

Um mês depois estava com um freela fixo, que se mantém até hoje, trabalhando home office, com jornada de trabalho de horário fixo, meio período, mas numa área do jornalismo que ando meio cansada: assessoria de imprensa.

A rotina era simples: eu trabalhava, sogra cuidava do pequeno em casa, eu fazia pausas para amamentar e dar carinho. Ok que no começo não foi assim simples, porque ainda é difícil as pessoas entenderem que você está de FATO trabalhando e que precisa de tranquilidade pra isso e que interrupções paralisam todo um raciocínio e te fazem perder mais tempo ainda pra retomar. Mas com o tempo fomos encontrando uma organização melhor.

Maaaaasssss eis que tudo muda, problemas de saúde com os pais da minha sogra resultaram em ela ter que ir cuidar deles e nós, eu e marido, concordamos totalmente e apoiamos. Só que né, eis que fico sozinha pra trabalhar e cuidar de baby.

Meu sogro vem alguns dias, ajuda bem em algumas coisas, outras muitas ainda faço quase que totalmente (dar papinha, arrumar banho, dar banho, arrumar banheiro pós-banho, ajudar num troca de fralda difícil, etc) e isso gera paralizações na rotina de trabalho, atrasos. Estou atrapalhada, não dando conta. E pior: me sentindo culpada por não trabalhar direito, por trabalhar naquilo que não tenho mais tanto tesão (assessoria) e ainda mais por não estar me dedicando como gostaria ao pequeno - vide brincar, rolar no chão, passear...E mais, esse freela fixo tá exigindo cada dia mais de mim, mais demandas, mais responsabilidades, mais tempo de trabalho...
E não é tão fácil decidir mudar quando se precisa de money...e depois de longas conversas com marido eu chego a conclusão que quero mesmo dar um tempo. Não quero entrar de cabeça agora de novo num trabalho heavy, que precise da minha disponibilidade all time, que precise da minha mente focada só nele all time e de todas as minhas energias possíveis - que é o que o trabalho de assessoria exige. E que quero ficar de-fato-e-mesmo com o pequeno mais tempo durante o dia até ele completar  18 anos uns 2 aninhos. E que enquanto isso assumiria freelas com começo e fim (o de hoje é contínuo com jornada 05 dias na semana), tanto pra foto quanto pra texto - mas que pra isso preciso montar portfólios, fazer um networking...
Ok, objetivo decidido, mudança definida, só falta agora saber como fazer e como me organizar. Porque ainda assim vejo que preciso de um help com o pequeno em algum período do dia pra poder fazer esses freelas, ou não? Ou faço na madruga? Ou deixo com a babá pintadinha?
Mas e a casa? Não temos diarista, nem cozinheira, nem copeira, nem arrumadeira, só eu fazedeira de tudo e marido ajudando como pode...
Bebê na escolinha meio período? Não queria tão já, nada contra, todas azamigas tem seus pequenos na escolinha, mas não queria já, já que tô em home office, frio tá chegando, grana ainda é curta...
Babá em casa? Como escolher? Agência? Indicação da vizinha que tem trigêmeos e um time de babás e cozinheiras? Supernanny tem dia livre?

Ainda muito por decidir, mas pelo menos consegui definir, senão o rumo da carreira, o início desse novo caminho. O que mais me pegava era ter a possibilidade de trabalhos não fixos, com mais liberdade de horário que a minha área tem e não aproveitar isso pelo medo de não ter um "trabalho convencional" ou "um cargo bacana" ou de não continuar a vidaloka de dedicaçao 24x7 exclusiva à carreira. O difícil foi assumir pra mim mesma que agora eu quero é me dedicar e curtir a fase do Pablo bebezinho, bebemaiorszinho, bebêgrandinho e levar a carreira mais no modo low profile.